Alcoolização de endometrioma: como funciona, indicações, benefícios e riscos

Postado em: 08/12/2025

Alcoolização de endometrioma: como funciona, indicações, benefícios e riscos

A alcoolização de endometrioma — também chamada de escleroterapia com etanol — é um procedimento minimamente invasivo em que o conteúdo do cisto é aspirado e, em seguida, injeta-se álcool absoluto para destruir as células endometrióticas que revestem a parede do cisto. 

É uma alternativa para casos selecionados, sobretudo quando se deseja preservar a reserva ovariana e/ou programar um ciclo de fertilização in vitro (FIV). 

Com este texto você vai entender o que é o endometrioma, como a alcoolização é feita, quando está indicada, benefícios, limitações, riscos e como decidir o melhor tratamento. Tenha uma boa leitura!

O que é um endometrioma?

O endometrioma é um cisto de endometriose que se forma no ovário. Ele costuma ter conteúdo “achocolatado” (sangue antigo) e pode impactar dor pélvica e fertilidade

Alcoolização de endometrioma: como funciona, indicações, benefícios e riscos

O que é a alcoolização de um endometrioma?

É uma técnica guiada por ultrassonografia na qual faz-se a punção transvaginal do cisto sob sedação.

Em seguida, aspira-se o conteúdo e injeta-se álcool absoluto dentro da cavidade do cisto.

O etanol permanece por cerca de 10 minutos e então é aspirado novamente.

Para quem esse tratamento é indicado?

A indicação é individualizada, mas em alguns casos esse tratamento minimamente invasivo pode ser considerado, como, por exemplo:

  • Em casos de endometriomas recorrentes (que voltaram após cirurgia) maiores que 3 centímetros, quando há planejamento de FIV próximo. 
  • Situações em que se busca evitar nova cistectomia, procedimento que pode reduzir a resposta ovariana às gonadotrofinas e diminuir o número de oócitos recuperados — aspecto relevante para quem deseja engravidar. 

É importante lembrar que esse procedimento não é um substituto da cirurgia. Em alguns casos, a operação continua sendo a melhor estratégia (por exemplo, quando há múltiplas lesões profundas). 

A decisão deve considerar idade, sintomas, tamanho/posição do cisto, reserva ovariana e o plano reprodutivo de cada paciente.

Como é feita a alcoolização do endometrioma (passo a passo)?

Os passos incluem:

  • Sedação da paciente;
  • Punção do cisto, guiada por ultrassonografia transvaginal, e aspiração do conteúdo;
  • Injeção de etanol absoluto;
  • Espera de 10 minutos para a ação do etanol no revestimento do cisto;
  • Reaspiração do álcool e reavaliação ultrassonográfica.

Quais os benefícios potenciais do procedimento?

Os principais benefícios são:

  • Preservação da função ovariana, ao evitar nova cistectomia em candidatas à FIV. 
  • Controle do cisto durante a estimulação ovariana: no estudo piloto, nenhum cisto recidivou durante a indução da ovulação, permitindo a captação de oócitos e transferência embrionária em 71,4% das pacientes; a taxa de gravidez por transferência foi de 20% (amostra pequena). 
  • Procedimento minimamente invasivo e realizado com guia ultrassonográfica, sem incisões. 

Quais as limitações e o que a ciência discute sobre o assunto?

A ciência discute, por exemplo:

  • Resultados de longo prazo: há variação entre protocolos (aspirar ou não o etanol ao fim do procedimento). Em uma série citada na literatura, deixar o etanol na cavidade foi associado a menor recidiva (13,3%) em comparação a aspirá-lo (32,1%); ainda assim, os dados são heterogêneos e exigem interpretação cautelosa. 
  • O procedimento não trata outras lesões de endometriose profunda fora do ovário — por isso, a avaliação completa (clínica e por imagem) continua fundamental.

Alcoolização de endometrioma: como funciona, indicações, benefícios e riscos

Quais podem ser os riscos e efeitos colaterais da alcoolização?

Como todo procedimento invasivo, podem ocorrer dor pélvica transitória, sangramento leve e infecção (efeito raro). 

No estudo científico, não houve episódios de infecção ou sangramento significativo, sugerindo bom perfil de segurança em mãos experientes. 

Perguntas frequentes (FAQ)

A alcoolização substitui a cirurgia?

Não necessariamente. Ela pode adiar ou evitar nova cirurgia em casos selecionados — especialmente em candidatas à FIV com endometrioma recorrente —, mas a decisão é personalizada. 

O procedimento ajuda a preservar a fertilidade?

Essa pode ser uma estratégia conservadora quando a cistectomia repetida poderia reduzir a resposta ovariana. Porém, a taxa de gestação depende de múltiplos fatores (idade, reserva ovariana, qualidade embrionária etc.). 

A alcoolização de endometrioma é realmente minimamente invasiva?

Sim. O procedimento é guiado por ultrassom e é feito via punção vaginal, sem cortes. É uma técnica minimamente invasiva e voltada a preservar o ovário quando bem indicada.

Para complementar o cuidado: confira os conteúdos do blog da Dra. Aline sobre alimentação para endometriose e endometriose no intestino: tratamento.

Alcoolização de endometrioma: como funciona, indicações, benefícios e riscos

Conclusão: escolhendo o melhor tratamento

A escolha entre tratamento clínico, cirurgia e alcoolização de endometrioma depende do seu objetivo (controle da dor vs. gestação), idade, tamanho do cisto, reserva ovariana e presença de outras lesões. 

Quer saber se a alcoolização de endometrioma é a melhor opção para você?
Entre em contato com a equipe da Dra. Aline Borges e agende sua consulta pelo WhatsApp ou pelo site. Estamos à disposição para orientar, discutir opções e planejar seu cuidado com segurança e acolhimento!


Dra. Aline Borges
Ginecologista especialista em Reprodução Humana

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