Ultrassonografia do assoalho pélvico para avaliação do sling na correção da incontinência urinária: pré e pós-operatório
Postado em: 19/12/2025

A ultrassonografia do assoalho pélvico é uma aliada valiosa para quem vai realizar (ou já realizou) cirurgia de sling para tratar a incontinência urinária de esforço.
No período pré-operatório, o exame ajuda a planejar a técnica e prever resultados; no pós-operatório, ele confirma o posicionamento da fita e identifica causas de falhas ou sintomas como urgência e dificuldade para urinar.
Trata-se de um método não invasivo, realizado em repouso, esforço (Valsalva) e contração perineal, com imagens em 2D/3D que mostram uretra, colo vesical, sínfise púbica e a própria fita.
A seguir, entenda como é feito esse exame e quando ele é indicado!
Quando a ultrassonografia é indicada no pré-operatório do sling?
Antes da cirurgia, a ultrassonografia translabial pode:
- Documentar mobilidade uretral (junção uretrovesical) e parâmetros anatômicos úteis à decisão terapêutica. Medidas como distância pubouretral e comprimento da uretra proximal ajudam a entender o mecanismo da perda e alinhar as expectativas de resultado.
- Complementar a avaliação clínica quando há dúvidas sobre o tipo de incontinência ou associação com outras disfunções do assoalho pélvico.
- Apoiar o planejamento da via (retropúbica vs. transobturatória) e do posicionamento ideal da fita (alvo em uretra média).
Como é feita a ultrassonografia do assoalho pélvico?
O exame é realizado com transdutor posicionado na região perineal (translabial). As imagens são obtidas em repouso, durante esforço e na contração do assoalho pélvico, o que permite avaliar a mobilidade do colo vesical e da uretra e, no pós-operatório, a fita de polipropileno nos planos sagital, coronal e axial.
A Dra. Aline Borges utiliza também a ultrassonografia 3D e 4D, que melhora a visualização espacial do sling.
Não há radiação no exame, ele não requer preparo complexo e costuma durar poucos minutos.
O que a ultrassonografia avalia no pós-operatório?
1. Localização da fita
O alvo desejado é a uretra média. Estudos com ultrassonografia 3D mostram que slings retropúbicos tendem a permanecer mais frequentemente na uretra média do que os transobturatórios ou mini-slings, sem diferença relevante nas taxas globais de cura (objetiva ~88% e subjetiva ~84% em três anos).
2. Distância entre a fita e a uretra e geometria da fita
Além de “onde” está, importa “como” está a fita. Uma fita muito encostada ou curvada em “C” no repouso pode sugerir maior risco de obstrução/ retenção.
Uma meta-análise recente encontrou associação entre formato em “C” e sintomas obstrutivos. A avaliação também considera a proximidade da fita ao complexo do esfíncter uretral externo.
Esses achados ajudam a indicar condutas conservadoras ou a necessidade de revisão cirúrgica.
3. Dinâmica e correlação clínica
A ultrassonografia do assoalho pélvico permite verificar deslocamentos da fita entre repouso, Valsalva e contração.
Em alguns cenários, maior deslocamento em direção ao colo vesical se associou a urgência de novo, embora diversas medidas ecográficas (na ordem de milímetros) nem sempre se correlacionem diretamente com sintomas ou cura — motivo pelo qual o exame deve sempre ser interpretado junto com a queixa da paciente.
4. Complicações
O método auxilia a detectar extrusão/erosão, hematomas, posicionamento inadequado ou tensão excessiva, causas frequentes de dor e disfunção miccional.
Ao identificar precocemente essas alterações, o time assistencial pode ajustar o manejo e reduzir reoperações.
Quando a ultrassonografia é indicada após o sling?
Procure a médica para reavaliação com ultrassom se ocorrerem:
- Dificuldade para urinar persistente ou retenção;
- Urgência/urge-incontinência de novo;
- Perda de urina contínua após a fase inicial de recuperação;
- Dor pélvica ou vaginal, sangramento anormal, sinais de extrusão.
No pós-operatório imediato, a maioria das pacientes tem alta em 24 horas e evolução gradual; a recuperação funcional completa pode levar 90–120 dias, período em que sinais de alerta devem ser valorizados.
Como a ultrassonografia e a urodinâmica se complementam?
A urodinâmica avalia pressões e fluxos; a ultrassonografia mostra anatomia e dinâmica estrutural (posição da junção uretrovesical, distância pubouretral, comprimento uretral, fita e relação com o esfíncter).
No dia a dia, os dois métodos são complementares e, conforme o caso, um pode ser priorizado sem excluir o outro.
Perguntas frequentes sobre a ultrassonografia do assoalho pélvico
O exame dói?
Em geral, não. O exame é externo (translabial), rápido e bem tolerado.
A ultrassonografia serve apenas para quem já operou?
Não. No pré-operatório, o exame apoia a escolha da técnica e o planejamento; no pós-operatório, ele confirma posicionamento e investiga causas de sintomas.
Quando o sling é considerado “bem posicionado”?
Em linhas gerais, quando a fita está na uretra média e sem sinais de compressão excessiva; a interpretação é sempre clínica + ultrassonográfica.
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Se você está avaliando a cirurgia de sling ou precisa investigar sintomas após o procedimento, a ultrassonografia do assoalho pélvico pode trazer respostas objetivas e orientar o melhor cuidado.
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Dra. Aline Borges
Ginecologista especialista em Reprodução Humana


