Fecundação in Vitro: principais dúvidas e respostas

Postado em: 11/08/2025

A Fecundação in Vitro (FIV) é hoje a técnica de reprodução assistida com maior eficácia clínica para mulheres e casais que desejam formar uma família.

Costumo indicá-la quando outras abordagens não trouxeram resultado ou quando existem fatores que, isoladamente, diminuem as chances de gravidez — como trompas obstruídas, endometriose, idade materna elevada ou fator masculino severo.

Mesmo assim, percebo no consultório que a FIV ainda desperta inúmeras perguntas. Reuni, neste guia, as dúvidas que mais ouço e as respostas baseadas em evidências e na minha experiência diária, para que você entenda o processo e tome decisões com segurança.

O que exatamente é a FIV?

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Na Fecundação in Vitro (FIV), o óvulo é fertilizado pelo espermatozoide em laboratório. Após alguns dias de desenvolvimento, o embrião é transferido para o útero, onde poderá se implantar e evoluir para uma gestação.

O protocolo é dividido em cinco etapas principais:

  • Estimulação ovariana: uso de hormônios por 8 a 12 dias para estimular o crescimento de múltiplos folículos ovarianos; 
  • Punção folicular: coleta dos óvulos por via transvaginal, guiada por ultrassom, com sedação leve; 
  • Fertilização: realizada por meio de injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) ou pela FIV clássica, em meio de cultura controlado; 
  • Cultivo embrionário: os embriões são monitorados em incubadoras time-lapse, que registram seu desenvolvimento contínuo sem necessidade de manipulação; 

Transferência embrionária: procedimento simples, rápido e indolor, semelhante a um exame ginecológico.

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Quando a FIV é indicada?

Recomendo o tratamento nas seguintes situações:

  • Trompas ausentes ou obstruídas;
  • Endometriose moderada ou grave;
  • Baixa reserva ovariana ou idade acima de 35–37 anos;
  • Fator masculino severo (baixa contagem, motilidade ou morfologia dos espermatozoides);
  • Falhas anteriores com coito programado ou inseminação artificial;
  • Casais homoafetivos femininos ou mulheres solteiras que desejam engravidar com sêmen de doador.

O tratamento dói?

Em geral, é bem tolerado. As injeções utilizam agulhas finíssimas; a punção ocorre com sedação, sem dor. Possíveis incômodos — leve inchaço ou cólica — cedem com analgésicos simples e hidratação.

Quais são as chances de sucesso da FIV?

A idade feminina é decisiva:

  • Até 35 anos — 50–60 % por ciclo; 
  • 35–37 anos — 45–50 %; 
  • 38–40 anos — 30–35 %; 
  • Acima de 40 anos — 15–25 %.

Quando aplico o teste genético pré-implantacional (PGT-A), seleciono embriões cromossomicamente normais, elevando as taxas de implantação e reduzindo abortos.

Em mulheres com menos de 38 anos, a probabilidade acumulada de sucesso após até três ciclos ultrapassa 80 %.

Quantos embriões devo transferir?

A prática atual privilegia a transferência única de embrião (SET) em pacientes até 37 anos com embriões de boa qualidade, minimizando gestações múltiplas sem comprometer os resultados.

Em algumas circunstâncias — idade avançada ou falhas anteriores — podemos considerar dois embriões.

Preciso usar meus próprios óvulos e o sêmen do parceiro?

Não obrigatoriamente. Podemos recorrer a óvulos de doadora, sêmen de doador ou até embriões doados, sempre dentro das normas do Conselho Federal de Medicina (CFM)

Essas alternativas aumentam as chances de gestação quando os gametas do casal não são viáveis.

A FIV garante gravidez?

Nenhum tratamento oferece garantia absoluta. No entanto, a FIV proporciona a maior probabilidade porque controlamos todas as etapas críticas: formação do embrião, seleção morfológica, ambiente uterino e, se indicado, análise genética.

Quantos ciclos de FIV valem a pena?

Depende de idade, reserva ovariana, fator causal e orçamento. A maioria dos casais engravida entre o primeiro e o terceiro ciclo.

A cada tentativa ajusto medicação, protocolo de cultivo e momento da transferência. Incentivo o acompanhamento psicológico para lidar com o impacto emocional do processo.

Posso congelar óvulos ou embriões?

Sim. Mulheres jovens com boa resposta podem vitrificar óvulos para uso futuro; casais podem congelar embriões excedentes, evitando nova estimulação. A vitrificação moderna garante mais de 90 % de sobrevivência das células após o descongelamento.

Quais exames preciso fazer antes de iniciar a FIV?

Antes de começar o tratamento, solicito os seguintes exames:

  • Ultrassom transvaginal com contagem de folículos antrais; 
  • AMH para estimar reserva ovariana; 
  • FSH e estradiol no 2º dia do ciclo; 
  • Sorologias para HIV, hepatites, sífilis, HTLV; 
  • Avaliação uterina (histeroscopia ou histerossonossalpingografia); 
  • Espermograma completo do parceiro.

Quando devo procurar um especialista em reprodução humana?

Oriento a avaliação especializada nos seguintes casos:

  • Tentativas sem sucesso por 12 meses (ou por 6 meses, se a mulher tem 35 anos ou mais); 
  • Diagnóstico prévio de endometriose, trompas obstruídas ou alteração importante no espermograma; 
  • Pacientes oncológicos que vão iniciar tratamentos como quimioterapia; 
  • Casais homoafetivos ou mulheres solo que planejam engravidar.

Quanto mais cedo avaliarmos, maior o leque de opções: coito programado, inseminação artificial, FIV ou congelamento de gametas.

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Próximos passos

Meu compromisso é unir ciência, tecnologia e acolhimento, para tornar a jornada da fertilidade mais leve e segura. 

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A Dra. Aline Borges é médica ginecologista e especialista em reprodução humana, atua na área de ultrassonografia da imagem da mulher e é professora dos cursos de HYCOSY e ultrassonografia para endometriose no CETRUS.

Dra. Aline Borges

CRM-SP: 120044
RQE Nº: 83943 – Ginecologia e Obstetrícia
RQE Nº: 58644 – Diagnóstico por imagem
RQE N° 839431 – Reprodução Assistida

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Dra. Aline Borges
Ginecologista especialista em Reprodução Humana

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